“Deu errado, não tem mais jeito”, diz Sanchéz sobre Adriano

A edição de janeiro da revista masculina GQ gerou revolta entre conselheiros do Corinthians. À publicação, Andrés Sanchez revelou uma mentira dita por ele ao Conselho Deliberativo para evitar que o órgão aprovasse o projeto de um estádio, antes da ideia do Itaquerão. Ele também admitiu jogar pôquer com jogadores e que Adriano não tem mais jeito.

“Um blefe meu foi quando teve um projeto de estádio e falei que não podia ser aquele porque existia um melhor. E não tinha nenhum outro, mas tive de convencer o Conselho a esperar. Esse foi o maior risco que corri. Ter um estádio na mão, não interessando se era caro ou barato e negá-lo”, declarou. Só depois veio o projeto do Itaquerão. A oposição já usa a declaração na batalha eleitoral.

O dirigente, campeão brasileiro, também alimentou o arsenal dos opositores ao dizer que “você pode roubar, fazer tudo errado, só cagada, mas, se for campeão vira herói.”

O presidente licenciado acabou dando razão a quem critica o cartola por contratar Adriano: “Nego meteu menos o pau [do que quanto trouxe Ronaldo]. Mas hoje ele não tem mais jeito. Investi e deu errado.”

Na entrevista, Andrés admitiu participar de noitadas de pôquer com jogadores. Curiosamente, no dia 31 de agosto do ano passado, ele assinou uma nota no site oficial do Corinthians afirmando que não tem o hábito de jogar pôquer. Rebatia um post deste blog que nem o citava como jogador.

“Mas essa história [pôquer na concentração] veio porque nós _ um grupo de jogadores, amigos e pessoas que não eram nem do Corinthians _ fazíamos uma reunião quinzenal na casa de um. A gente costuma pedir pizza e jogar pôquer a mil reais. Quem perdesse mais perdia mil reais”, disse ao negar o hábito dos corintianos de jogar cartas na concentração.

o campeão sem rosto

entre as explicações para o título do corinthians, surgiu uma que me remeteu à física, não ao futebol: segundo um dos especialistas de plantão no sportv, trata-se de um time “denso e consistente”. outro, no lance, preferiu enaltecer o espírito “frio e calculista” da equipe. como se analisassem um trabalho acadêmico produzido por estudantes de bioquímica da unicamp, não o resultado final do “campeonato mais emocionante dos últimos tempos”.

poucos desses comentaristas, porém, lembrariam de um “jogo para sempre” protagonizado pelos pupilos do verborrágico tite e seus ensinamentos de power point. façam o ranking particular dos embates mais eletrizantes e improváveis do campeonato (fla 5×4 santos, flu5x4 grêmio, vasco 2x1flu, mesmo cruzeiro 6×1 galo) e será difícil incluir um jogo do timão.

o que achei curioso foi o fato de, ao contrário do são paulo de ceni (2006-2008), do fla de adriano (2009), do flu de conca (2010) e do próprio corinthians de tevez (2005), trata-se de um dos raros times a ganhar o campeonato sem um grande craque ou mesmo um ídolo cultivado com imenso carinho por sua torcida – o mais perto desse status, chicão, foi barrado no meio do certame.

e, nesse campo da identificação com torcedor, o timão vira um time qualquer: é superado por uma batelada de times de 2011 – o vasco de dedé, juninho, felipe e diego souza, do fla de felipe, rg10 e thiago neves, o flu de deco e fred, o santos de neymar e ganso, o Glorioso de jefferson e loco abreu, etc.

emerson, imperador, danilo, alex? todos campeões, ok. mas todos projetados por outros times. a dupla paulinho e ralf, sucesso de crítica mas popularidade quase nula, nem chega aos calcanhares de um biro-biro.

ou seja: o corinthians foi campeão no ano em que foi menos… corinthians.

ou, pelo menos, o corinthians-as-we-know-it.

talvez liedson tenha sido o nome mais importante da conquista, mas mesmo assim, por conta de seu temperamento, ele sequer arranha o carisma de outros ídolos do proprio clube. daí a certeza que, no coração corintiano, tupãzinho tem mais espaço do que o levinho.

fica, portanto, mais significativo o impacto da homenagem ao doutor sócrates antes de a bola rolar no último domingo, quando todos os jogadores estenderam o braço no círculo central do pacaembu.

naquele momento, enfim, o corinthians 2011 deixou de ser chelsea e ganhou cara corintiana.